A decepção dos acontecimentos dessa vez não doeu, era tanta vontade acumulada de maneira tão visceral, que o não dado de forma tão abrupta fez morrer qualquer desejo antes mesmo de se transformar em dor. Não está doendo, não está doendo, não está doendo, repetindo essas palavras eu tento descobrir que caminho que tomou aquela vontade toda, como pode ter se dissipado assim? Algo reverbera aqui dentro e me faz ficar calma, porem surpresa, porque não está doendo? E assim como quem aprendeu a transformar frustração em resiliência, sigo encantada com essa nova sensação. Finalmente não está doendo.
Um turbilhão de sentimentos grita dentro de mim, inaudiveis. A vida vibra na frequência de quem quer achar beleza no mundo, feroz. Os encontros acontecem e mesmo apática, por ser vítima de uma cruel desesperança, um moço me desperta. E desperta reencontro dentro de mim a poesia. Que bom seria construir uma casa num chão de terra batida, onde ao fundo um sol laranja se despede de mais um dia. A simplicidade se confunde com beleza, ou será tudo a mesma coisa? A semântica das palavras as vezes não compreendem a si mesma. E com a alma transbordando questiono, a poesia se confundiu com um moço, ou era tudo a mesma coisa? Amanheço.