Não é mais questão de analisar o inicio do ano, agora trata-se em vivê-lo.
Dentro de mim há essa energia, algo que tem se acumulado, uma força vital que havia diminuído com o passar do tempo e com o peso das coisas. Gosto quando essa força vem, parece que uma felicidade de me ser e apenas me ser basta, e eu sou, e quando sou, vivo tão intensamente que viro uma explosão.
Lembro-me da primeira grande revelação pessoal que eu tive, do me apaixonar por mim, do me amar, de me conhecer e entender o que se passa aqui dentro, lembro-me da grande euforia de me possuir tão plenamente. Quando veio a maternidade e o desmoronamento de todo o conhecimento que eu tinha de mim, desencontrei-me, como se me tornar mãe modificasse o modo como eu tinha planejado encarar a vida. Houve então um processo, uma reconstrução, não sou simples, não consigo apreender fácil mudanças preciso compreender e entender tudo antes de me tornar novamente.
Es que com todos os acontecimentos de desses últimos 3 anos pude compreender tudo de novo, não que eu tenha alcançado a paz, inclusive não sei como é ter a paz presente na vida, nunca experimentei se quer a remota sensação de sentí-la, mas estou experimentando novamente a alegria de me ser, essa explosão de sentimentos, esse saborear a vida, estou plena, cheia de coisa pra resolver e decidir, mas plena, porque toda aquele processo que tanto escrevi aqui, o de está buscando o equilíbrio entre a minha nova condição e o meu eu está finalmente concluído.
É como se eu entendesse que nem pelo Vinícius eu posso negar aquilo que eu sou, o que eu sou é parte essencial da mãe que estou me tornando para ele, não há prova de amor maior do que eu ser inteiramente o que sou sem que haja a necessidade de me tornar outra coisa. Parece óbvio, mas na prática e diante do toda a pressão que a vida faz não é, aprendemos que mãe é ser imaculado, subserviente, e que não pode ter outra função além de ser somente mãe.
E de sentimentos e descobertas, de buscas e perdas, do transformar-se chegou junto a tudo isso o pré carnaval, se a única condição de me ser é sendo, então vamos saborear essa existência, quem sabe assim quando finalmente chegar o carnaval eu possa ser-lo durante o ano todo.
Minha carne é de carnaval meu coração é igual.

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