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Era de manhã e o relógio de pulso ao seu lado marcava as horas, ia tictaqueando devagar, como se o tempo passasse menos por ele ser menor, tolice, no mundo do tempo tamanho não era documento, nem o tamanho do próprio tempo importava, ele estava ali e nada mudaria, ele apenas se repetiria em um outro tempo.
Maria havia levantado cedo para estudar, claro que em todo percurso como era de costume, pensara nele e em todas as alternativas de contar-lhe, todas muito boas, na teoria, mas na verdade a pratica era outra, Maria tinha um compromisso quase cívico em não se apaixonar por ele de novo, e ela honrava esse compromisso, pelo menos da boca pra fora e fazia isso com muito sucesso.
Antes de ir pra faculdade, Maria seguia pela penumbra dos rastros dele, mensagens que a fizesse ter mais coragem ou pior, desistir, quase sempre nessas pesquisas matinais ela descobria algo que matava um pouco da coragem dela, e ela todo dia desistia e sentia coragem, era assim desdo inicio.
Quando chegou na aula a sua interminável mania de sonhar acordada a fez ir em um caminho extremamente perigoso, e quando ela chegava lá não podia recuar, e nem saiba quanto tempo desacordava ficava, não dormindo, apenas desligada, "será possível que eu fosse louca?" Era o que sempre pensava.
Maria sempre tivera medo de ser louca, ela sabia que inventava algumas realidades que a maioria delas a fazia sofrer por antecipação, mas a loucura era algo que a atormentava, ela se atia o fato de que na grande maioria das vezes ela se apaixonava por frases e demonstração de carinho que só existiam pra ela, e ela só percebia disso muito tempo depois, quando já era inevitável não estar terrivelmente apaixonada.
Lembro-me de uma vez, que ela saíra de casa e esquecera o dinheiro, esse fato fez com que ela se apaixonasse perdidamente por esse rapaz, não por ele (que ele não saiba), mas pela fatal coincidência do dinheiro esquecido pelo acaso, e por esse fato ter proporcionado o encontro deles, ela se apaixonou pelo inevitável, mas esse inevitável, apesar de não ter sido criado por ela, foi perpetuado para as escolhas dela pra sempre, até agora. E era dessa loucura que ela tinha medo, o fato de que ela criava pequenos caos toda vida que esses inevitáveis eram grande de mais e disso, fazia fantasias.
Foi com uma fantasia dessas que ela brincou todos os carnavais de lá pra cá e todos os natais. Muito tempo para quem tem pouco tempo, mas muito pouco tempo pra ela que pensava em uma vida infinita, não física, mas espiritual, contudo, ainda assim, esse tempo tão fielmente contado só reafirmava que nessa historia havia algo de perfeito, mas uma vez a loucura.
Maria, não tinha muitas opções, e ela sabia que um dia teria de contar, mais uma ou duas vezes sobre esse sentimento dela para ele, até um outro inevitável acontecer, mudar radicalmente a sua vida e então a parti dai ela começar a viver outro sentimento, ou se a vida fosse boa o suficiente, ele também se apaixonaria por ela e eles poderiam montar uma linda casinha nas montanhas.
Ela não sabia qual desses destinos era o ideal, nem qual ela queria de verdade, Maria nem sabia de toda a verdade entre eles, ela só sabia que o tempo não mudava, ele era do jeito que tinha que ser desde antes dela pensar em existir e ela sabia, também, da sua promessa quase cívica de não se apaixonar por ele de novo e ela cumpria, apenas da boca pra fora, claro!

Comentários

Marina Porto disse…
que lindo, post lulu!! gostei
Wan Monteiro disse…
Como jornalista em fim de curso, devo me render aos encantos do seu texto envolvente de publicitária no meio do curso.
Vc deveria largar o photoshop, Lulu...

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