(...) O amor vive neste sutil fio de conversação, balançando-se entre a boca e
o ouvido. É preciso saber ouvir. Acolher. Deixar que o outro entre
dentro da gente. Ouvir em silêncio, sem expulsá-lo por meio de
argumentos e contra-razões. Nada mais fatal contra o amor que a resposta
rápida. Alfange que decapita. Há pessoas muito velhas cujos ouvidos
ainda são virginais: nunca foram penetrados. E é preciso saber falar.
Há certas falas que são um estupro. Somente sabem falar os que sabem que As mil e uma noites são a história de cada um. Em cada um mora um
sultão, em cada um mora uma Xerazade.
Aqueles que se dedicam à sutil e deliciosa arte de fazer amor com a boca
e com o ouvido (esses órgãos sexuais que nunca vi mencionados nos
tratados de educação sexual…) podem ter a esperança de que as
madrugadas não terminarão com o vento que apaga a vela, mas com o sopro
que a faz reacender-se.
Rubens Alves.
o ouvido. É preciso saber ouvir. Acolher. Deixar que o outro entre
dentro da gente. Ouvir em silêncio, sem expulsá-lo por meio de
argumentos e contra-razões. Nada mais fatal contra o amor que a resposta
rápida. Alfange que decapita. Há pessoas muito velhas cujos ouvidos
ainda são virginais: nunca foram penetrados. E é preciso saber falar.
Há certas falas que são um estupro. Somente sabem falar os que sabem que As mil e uma noites são a história de cada um. Em cada um mora um
sultão, em cada um mora uma Xerazade.
Aqueles que se dedicam à sutil e deliciosa arte de fazer amor com a boca
e com o ouvido (esses órgãos sexuais que nunca vi mencionados nos
tratados de educação sexual…) podem ter a esperança de que as
madrugadas não terminarão com o vento que apaga a vela, mas com o sopro
que a faz reacender-se.
Rubens Alves.
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