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Dos desejos de amores, das poesias sem poetas da minha vida, sem cor.
Está mais do que notório que eu procuro, procuro em cada vão momentoJustificar a felicidade de me sentir única, de cada gesto descuidado o ardor de me perceber eu, para outro.
Procuro. Procuro algo que seja mais do que passado ou presente, procuro o futuro, e de todo o amor que ele possa proporcionar, procuro, o mar sempre ausente na saudades de amar.
E me apontam, e me despontam e me aprontam, algo que eu não quero, que eu não sou. Ninguém entenderia o que é andar pela tarde só, com o por-do-sol, sonhando, ninguém procuraria compreender o que é me ser dessa forma desmedida, que não entende que o amor não se encontra todo os dias em todas as coisas. E que se sente todos os dias por todas as coisas, ama-se a tudo mesmo antes de conhecer. E depois se desapega para não sofre, não sofrer mais do que já foi sofrido.
Eu sou isso, essa procura diária desse amor imperfeito cheio de dor, cheio de graça, desse amor sofrido de uma tarde chuvosa de solidão, de contra-mão e de perdão. A satisfação de revelar prazeres onde nada há, a contentação de viver sonhando, mais do que sonhar vivendo. Eu me inventei e não sei mais como me reinventar, eu sou só saudades daquilo que eu não sou.

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