Sendo ou não sendo o hoje, sempre acontece que no por do sol essa luz calma e diferente, que inebria e dilacera a medida que vai se extinguindo, muda algo dentro de mim, por hora dizendo do amanha, que de tão inevitável interrompe a beleza entorpecente do tempo, que depois se entenderá por ontem e colocará no seu lugar o medo de não conseguir chegar a tempo, com os demais, ou se por depois, pelo medo simples do presente, vago, ele em si mesmo, estático.
O azulado em tom disforme, com manchas em rosa e amarelo-queimado, vai se tornando cada vez mais denso e inóspito, depois que a noite vem não há como deter ou mudar nada. Os dias de domingo tem esse sabor de final, de temor, de mudança, de recomeço, de meio, de fim, os domingos me trazem à memória que amanha tem O tudo, de novo, até o final da vida, até o final de semana, dai existe o outro domingo, o outro por do sol e com ele mais uma vez esse sentimento, que é cíclico, inaudível e terrivelmente reconfortante.
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