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O samba é o pai do prazer. O samba é o filho da dor.



Existem algumas verdade que acometem em uma tarde chuvosas de sexta-feira. Ou elas ME acometem e eu tenho que escrevê-las.

Amo samba, não sei desde quando ou onde começou esse meu amor por esse estilo musical, mas a minha recordação mais antiga é de um vizinho me ensinando a sambar no meu sexto aniversário. Desde então toda festa ou reunião ele colocava qualquer samba e me fazia sambar, era divertido, era leve e todo mundo achava fofo, da dança pouco aprendi, mas do sentimento muito apreendi.

Eu não lembro de ter tido uma boy band preferida, não lembro de ter escolhido uma das spice girls para imitar, mas lembro do meu pai colocando Zeca Pagodinho, Martinho da Vila e Clara Nunes para tocar, lembro das festas que as vezes tinha lá em casa no domingo à tarde, na calçada, e dos risos, do inúmeros risos.

Tudo bem que o meu gosto musical cresceu significativamente, agora eu também curto rock, pop, folk e bandinhas alternativas, mas o meu amor mesmo, aquilo que nasceu comigo desde que eu nem lembro, foi o samba, e a Bossa, numa consequência inevitável, veio logo depois.

Escrevi tudo isso porque de repente enquanto eu estava na cozinha pensando, cheguei a conclusão que para se gostar de samba e de bossa tem que senti uma certa dor e uma certa felicidade de viver, parafraseando Caetano:
"A tristeza é senhora
Desde que o samba é samba é assim
A lágrima clara sobre a pele escura
A noite, a chuva que cai lá fora
Solidão apavora
Tudo demorando em ser tão ruim
Mas alguma coisa acontece
No quando agora em mim
Cantando eu mando a tristeza embora"
E só poucas pessoas conseguem cantar um samba de uma maneira bonita, de maneira forte, só canta assim quem sente, quem carrega consigo essa tristeza e essa felicidade de quando a tristeza vai embora, quem é capaz de passar essa dor e essa alegria, só canta assim quem conhece o que é o amor ou quem busca conhecer o amor.

Eu sei da minha influencia de está escrevendo esse texto hoje, talvez ele nem saiba que me influenciou dessa forma, que tocou tão fundo com o samba dele, com o sentimento exposto durante o tempo em que ele segurou o microfone.

E que fique claro: cantar encanta, e tudo que encanta é um dom e um dom é o que essencialmente somos, e não podemos fugir da nossa essência.

Já diria Vinicius:
"Um bom samba é uma forma de oração."

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