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Quando a felicidade não nos pertence.

Tem um tempo já, que venho me sentindo embriagada a meio aos meus próprios sentimentos, e depois dessa virada de ano (da minha virada de ano), parece que tudo aqui dentro deu uma entornada, o caldo do sentir transbordou e de tão morno me assustou.
Assustou porque ainda não descobri  como qualificar as coisas em boas ou ruins, ou por entender que esse dualismo de fato não exista, é tudo tão intimamente emaranhado que fica  dificil classificar, ainda mais assim, de maneira tão simples.
Então o que fazer com o anseio do meu ser de classificar e ter o controle de tudo que sinto/sou? o que fazer diante a complexidade dos fatos e da certeza de que existem coisas na vida que me assustam por não conseguir ter a falsa ideia de que posso dominá-las? O que fazer quando isso tudo aqui vira essa ansiedade e me inquieta? Talvez apenas isso: escrever!

E aqui estou.

Vim porque o morno me assustou, e quando escrevo que o morno surpreendeu, não avali-o de modo pejorativo, pra muitos o morno é o inicio, mais quente do que o frio, e muito mais confortável do que o calor exaustivo de uma caldeira de sentimentos. O receio está no não controle, do impalpável presente.
De maneira simples, vim porque as flores me encantaram, mas a dureza da minha vida as fizeram apenas flores. Talvez seja só esse meu emaranhado complexo demais, ou seja eu sendo o mais simples do que se possa ser, talvez seja apenas o medo.  
 Tudo isso foi escrito para dizer que hoje eu estou feliz, mas triste, por não saber lidar com essa felicidade que não parte de mim e vem da presença do outro.

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