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Eu era o Dragão

Cachinhos de vermelho. Pestaneja preguiçosa, diz que vai dormir. Eu é que num vou. Tão bonita ali deitada com seus olhos de Martini (ela não toma cerveja) incrustados na cabeça encaracolada. E a boquinha, que quase não tem! Ai, ai! Feições do pecado. Se é o diabo eu não sei. Sei que se vira de um lado pro outro da cama, bem de mansinho. São tardios resultados de uma noite sem dormir os meus bocejos matinais. Juro que é só pelo cansaço, ela sozinha, sem nem consciência de si era mote suficiente pra tirar-me o sono.

Tateava na memória uma desculpa para beijar-lhe. Mas que tolice! Meu ensejo é esse mesmo. Como se não fosse suficientemente canalha para justificar-se apenas pela vontade! Remataria o cortejo sua indiscreta presença irresistível, não é toda mulher que o consegue de manhã ao acordar. Plano traçado, mãos à obra:

- Seria muito importuno se te pedisse um beijo agora?

Respondeu que sim, mas já estava rendida. Pois rosto com rosto, por mais impertinente que fosse era também muito tolerado e, daí para algo mais, só um pouco de paciência. O lençol era a defesa e eu era o dragão, apertava, grunhia, rosnava, beliscava, mordia... Era um todo de funções impudicas. Persuadida e não avistando saída ela pedia uma razão para tanto: nenhuma, simplesmente era cedo, ela era formosa e eu era o Dragão.

por poeta Plauto.

hoje, pego um texto escrito por outro!
faz tempo que foi escrito, mas ainda me encanta quando eu leio.
depois ele vem me dizer que nao é poeta.

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