Não é orgulho amar como eu amo, e nem merito e muito menos uma benção. é algo que me dói, que me machuca a cada busca para encontrar em mim o significado desse amor.
Se eu pudesse escolher entre ter sentimento tão latentes e ter razão tão singular, escolheria a razão, pelo menos essa angustia que me acomete toda vida que olho as fotos da qual eu nao estou, seria saciada por uma boa noite de álcool e esquecida com a ressaca do dia seguinte, mas não. a angustia me acompanha sempre, cada dor fica tatuada na alma, e a minha alma, se fosse vista como o meu corpo, seria taxada como uma alma marginal. E ela é, ela é uma marginal que só vive a margem do quase, das quases vezes que eu disse que o amava, das quases vezes que ele disse que me ama, das quases vezes que a gente quase se beijou. das queses vezes em que tudo foi muito mais do que quase.
E nem me pergunte o porque desse sentimento, desse amor que eu sinto. Antes de conhecê-lo eu não era assim, não nesse ponto de achar que tudo o que eu tenho é a ele em mim, mesmo que não seja da forma que eu quero, acho que já é doença ou é amor mesmo, querer que a pessoa seja feliz mesmo que você não seja a atriz principal dessa felicidade, querer que pessoa sorria de cada besteira sua, e rir de cada besteira dela só pra não deixá-la triste, vê-la acordar no outro dia, vê-la fazer um café amargo, horrível e dizer que tá bom e tomar todo, só pra agradar. encontrar em cada motivo um motivo maior pra abraçar, tirar onda e porque não, amar por meio a palavras, como se quiséssemos dizer um para outro aquilo que não diremos tão facilmente. Eu por medo, por medo de perder os quases, insuficientes, mas que deixam a minha vida meio cheia, ele por motivos dele, por não me querer tão bem assim, por não confessar que me quer tão bem assim, sei lá, nunca tivemos essas conversa de "porque não eu". Simplesmente não sou eu. E eu me contento em saber que por mais que queiramos ambos ir embora um da vida do outro, não conseguimos, nem eu e nem ele.
Não sou tão boa quanto pareço para falar de amor, não quando se trata do meu amor, exposto assim, pra qualquer um ler, eu demonstro, ou talvez nem isso. De tanto amor, de tanto querer bem, de tanto sofrer, eu aprendi a encobrir os meus gestos com cinismo, a minhas voz com auto-suficiência, e o meu corpo com revolta. Não digo, não afirmo. não dou dicas. Eu apenas amo, burramente calada, amo e não digo que amo, não quero, não tenho coragem de perder os meus quases. não quero perder aquele pouco que eu tenho. E eu sei que muitos vão dizer, eu mesma vou dizer, que quem se contenta com quase não tem amor por si próprio, e quem não se ama, não consegue amar a ninguém. Eu rebato e mim mesma todo dia, tentando entender o que se passa comigo ao lado dele, o que se passa comigo toda vida que ele me liga. Mas o amor é como uma droga, vicia, e quando se chega a esse estagio, não tem mais volta. Eu me amo por amar a ele, porque ele me traz alegrias, todos os dias, porque ele me faz me sentir bem como eu sou, com cada defeito e qualidade minha, eu me contento com o pouco porque o pouco que ele me entrega é mais do que qualquer outro pouco que alguém me dá. Porque ninguém me faz tão bem quanto o amor da minha vida, e ninguém consegue me fazer feliz como ele, por mais que tentem, que se esforcem, que se matem pra isso, que me tratem como princesa, mas de todos, só ele me faz feliz, e eu já me acostumei com isso.
É, talvez eu tenha a doença do amor e talvez um dia eu morra por isso.
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