
Como eu estou muito cansada pra cozinhar, vou escrever.
Talvez o comentário de ontem tenha elevado a minha auto estima da escrita e pá, meu orgulho dilatou-se e aqui estou eu, escrevendo again. ou talvez eu esteja cansada de mais pra utilizar as facas, posso acabar cortando o dedo.
O fato é, odeio faltar trabalho/prova, odeio agora, antes não odiava, inclusive antes eu meio que deixava a vida me levar e qualquer coisa era qualquer coisa, na hora me virava e dava bastante certo, sempre fui boa de improviso, sempre soube o que responder, sempre.
Improvisando foi que eu conheci o meu ex e que ele se apaixonou, improvisando foi que a gente terminou e eu continuei. Continuei porque, depois de muito refletir, não queria me envolver com ninguém, queria um tempo pra pensar em mim. Deu bastante certo, pensar em mim foi algo que eu não fiz durante muito tempo, sempre era pensando em mim com o outro, sempre pensando em mim sendo feliz por ter a outro, por viver os problemas dos outros e esquecendo de mim.
Nunca fui independente o suficiente para simplesmente não sentir qualquer sentimento de amor por alguém, ao contrario, sempre me apaixonei e meio utopicamente, sempre fui fiel a paixões, consequentemente, sempre me chamaram de otária. Diziam, "Lulu, esquece essa pessoa, vive a tua vida, faça os teus planos", erradamente, mas não completamente, pois tudo é equilíbrio, eu vivia intensamente cada amor como único e acabava esquecendo de mim, foi o que aconteceu no meu ultimo relacionamento.
Mas descobrir que o amor não é único, como pode ser único um sentimento tão bom? Como eu só posso amar a uma pessoa e nunca mais a mais ninguém? como? Na minha vida o amor único não existe mais, existe as invariáveis formas de amor, e as invariáveis pessoas que eu vou amar. Amor não é escolha, a escolha é o relacionamento que se deriva desse amor e escolha é escolher continuar com aquela pessoa dizendo ser o seu namorado, amigo, ou qualquer outra coisa, as vezes, amor é também saber se afastar.
Dai, visto o dia que me passou pelos olhos feito uma faisca de fogo, feito uma fagulha a inicia um incêndio, eu quis dividir com vocês algo que eu aprendi hoje. Sobre amores e relacionamentos, sobre casos e paixões, sobre a vida, a minha vida.
A gente senta na janela e espera que a estabilidade da vida aconteça, que os relacionamentos não terminem, que a perfeição perpetue, ou a não perfeição também, mas queremos que o que é bom não mude, permaneça, isso é óbvio, somos humanos e a maioria de nós, normais, mas o que não podemos exigir, ou querer é aquilo que não damos para o outro, como eu posso querer que uma pessoa me espere se eu não esperei por ela, como eu posso querer que alguém tenha certeza e acredite em um relacionamento, se eu mesmo não acredito? Falamos tanto do outro, do próximo, que esquecemos de olhar os nossos próprios sentimentos, e o problema não é nem analisar, o quem errou primeiro, eu ou ele? as vezes não há erros, só escolhas de caminhos opostos. E toda escolha, caros e caras, existem consequência. A lei do eterno retorno, tudo que vai volta.
E quando eu digo que não quero relacionamento eu minto, eu não posso ser levada tão ao pé da letra, eu quero um relacionamento, um relacionamento com alguém de verdade, não com essas pessoas que exigem e que não retribuem, não um relacionamento com alguém que não sabe o que quer ou quem é, e muito menos um relacionamento com alguém que não acredita em relacionamentos. Eu acredito, só não acredito em pessoas que magoam os outros conscientemente, só pra dizer, ei, oi, eu estou bem, mas se depender de mim você não vai ficar, se depender de mim vou provar pra você que posso ser feliz sem vocês, mesmo que te machuque. Voltar a viver a vida não é errado, é bastante certo inclusive, mas viver a vida pra provar pro próximo que esta vivendo, é. Viva por você e só.
E eu escrevi tudo isso, porque ao longo dessa semana, não foram uma e nem duas pessoas que vieram falar comigo sobre relacionamento, foram varias, dentro elas, grandes amigos, que eu amo de paixão e que tão sofrendo por não saber do que vai ser do futuro, do que vai ser do amanha, tem medo de apostar tanto em alguém e de sofrerem. E foi por medo de sofrer que eu mais sofri, porque é assim que relacionamentos terminam, muitas vezes, pelo medo do sofrimento.
Bem verdade que da faísca, e da grande fogueira que se fez dos vários momentos que eu conversei sobre relacionamento, pude observar e entender, A vida, pelo menos a minha vida, anda muito bem das pernas, não porque eu não esteja com alguém, mas porque quando eu estou com alguém eu sei exatamente o que eu quero. Posso não demonstrar, ainda, por vários motivos, mas eu sei exatamente o que eu quero. E não demonstrar também é um erro, eu sei. Mas quer saber do que mais? eu ainda estou aprendendo mesmo.
Comentários
Muito bom o post. Não dá para fazer um relacionamento dar certo se os dois não quiserem. E para dar certo a dois, é preciso primeiro dar certo sozinho. Por isso um tempo para nos conhecermos, refletirmos e pensarmos unicamente nos nossos umbigos nos faz sempre tão bem.