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Maria olhava a janela que não olhava nada, sentia apenas uma vontade de olhar, como se aquele movimento, aquele gesto, significasse alguma coisa. olhava para entender o que não estava acontecendo naquele momento.
Sentimentos que são tantas vezes sentidos deveriam estarem gastos, mas parece que quanto mais se sente, mais se sente mais ainda, Maria já havia se cansando de não entender porque estava sentindo. Ela na sua liberdade totalmente presa, se libertava justamente aonde não podia voar, na janela.
O ambiente em sua volta clamava pela sua atenção, qualquer movimento que fizessem como dito a cima era em vão, só em um movimento ela reparava, que era o movimento da própria janela, estática, como ela.
Maria queria que o momento chegasse, mas que momento? saberia ela como agir caso ele chegasse? Era como na poesia de Drummond, o garoto que tinha medo de não saber o que fazer na hora de fazer, assim se sentia Maria, esperava tanto por aquela situação sem nome, que o nome do sentimento que sentia era medo. não o medo da situação em si, mas da angustia da espera que não a deixava planejar nada.
Olhando o movimento da janela, ela que não via desistiu de olhar, não adiantava acompanhar o seu próprio fim como se não estivesse participando, mais nada Maria podia fazer, no mundo nem tudo dependia dela e a espera na janela pela mudança de movimento mudou de forma única o sentido da espera. Agora ela entendia o que era esperança, e viu que nada mais era com um mal súbito que mata a vontade de lutar por outra coisa que não a coisa da espera, Maria lutava agora contra a esperança do momento que sempre se anuncia, mas que nunca se cumpri. Pelo fim.

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