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Ela sempre escrevia da mesma forma, as palavras eram iguais, os assuntos eram os mesmos, as musicas que tocavam ao fundo enquanto ela escrevia também eram, ela tava cansada dessa igualdade, dessa mesmice, olhava pela janela e via o tempo sem tempo, não podia se saber que horas eram sem o sol. Olhava pra baixo e via os carros, mas seria possível dizer que aqueles carros lhe eram diferentes? Eles eram sempre os mesmos carros indo e vindo. Sua angustia estava naquilo que não mudava nunca.
Transformações aconteciam na sua vida, verdades lhe eram reveladas e até o motivo de sua existência ela já havia descoberto, porem ainda assim tinha uma coisa que não mudava nunca essa espera sem poder esperar tanto assim dos outros, apesar de tudo que ela tinha aprendido ela ainda esperava, será que ela nunca cansava disso? De errar sabendo exactamente onde estava errando?
Talvez não.
Ela não queria falar de erros, o mundo era perfeito de mais na sua imperfeição, falar de erros era também falar de acerto, e desses acertos ela ainda não podia falar, era cedo de mais pra quem ia ler isso saber dos seus acertos. Mas ela tinha um que de tão grande ela não sabia o que fazer com ele, a não ser esperar. Paciência, como ela tinha aprendido com a essência dessa palavra, as vezes ela tinha que adquirir paciência pela sua impaciência de não ter a paciência sem saber que ela só vem quando somos pacientes, e ser paciente era contraditório, era esperar tranquilamente, resignado e conformado por algo e ser paciente era ser vitima, era quem sofre por ser objeto de uma ação!
Era disso que ela tava cansada dessa contradição tão presente na vida dela. Ela queria nunca sentir essa contradição, mas ela sabia que no dia que ela não sentisse essa contradição, ela também nunca mais sentiria esse amor tão destemido e imensurável, e por sua mania de ser impaciente ela acaba de revelar a todos o maior acerto da sua existência.

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