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Queria fazer uma crítica à sociedade, escrever tudo aquilo que eu aprendi nas aulas de sociologia, mas uma das muitas coisas que eu não sei fazer é escrever sobre a sociedade, é difícil falar de um coletivo e generalizar tudo, é como se falássemos que todos que não tem oportunidade e que more na favela vão se tornar um marginal, eu morei por muito tempo na favela e não me tornei nem uma marginal, quer dizer, se levar bem ao pé da letra essa palavra e vir que ela significa estar à margem da sociedade eu sou meio marginal, não que eu assalte ou mate, longe disso, apenas estou à margem daquilo que se denomina sociedade, mas do lado diferente do habituai, to do lado menos óbvio, do lado que ainda acredita que essa sociedade tem jeito e que não existe ninguém tão ruim que não possa mudar e nem tão bom que não tenha o que mudar, eu to do lado da margem de quem ainda acredita no mundo.
É bem difícil estar aqui escrevendo que eu acredito no mundo, já que fui assaltada a pouco tempo de uma maneira vergonhosa, pois foi justamente por acreditar nessa bondade que eu esqueci completamente da maldade e vejam só, lá estava eu sendo assaltada e entregando o pouco que eu tinha por opção. Foi então que eu comecei a refletir se esses marginais, os que assaltam, não merecem que tudo o que eles fazem seja refeito à eles, no inicio tudo deu certo, o plano que eu tinha elaborado era perfeito, primeiro eu ligaria pra eles e falaria que eles tinham sido sorteados pela Ana Maria Braga, mas que não iam ganhar dinheiro, seria muito obvio e eles não cairiam, mas que eles tinha sido sorteados para passar um dia com ela, segundo, eu os iludiria daria até a passagem de avião e hospedagem, eles se sentiriam os privilegiados da vida e pensariam que a sorte tinham começado a sorrir pra eles, sim, realmente o sol estava brilhando quem sabe até um deles não conseguiria um papel na Malhação. Os planos deles seria deixar a vida do crime e virarem estrelas, porém não mais do que de repente eu negaria tudo, tiraria passagem e hospedagem e quem sabe assim roubariam deles não o dinheiro, pois isso eles conseguem de má fé, porém sim o sonho de uma vida melhor.
Não tinha percebido o furo desse meu plano diabólico, apesar de que por um momento eu tenha deixado de justificar aos outros e tenha passado a aceitar que o as pessoas são más e que merecem sofrer, eu tinha esquecido um detalhe, fazendo isso não só eu os machucaria, não só seria cruel com eles, como me tornaria uma deles, eu sou uma deles, eu roubo sonhos, nego amor. Eu seria pior que eles, pois eles fazem isso porque tudo o que eles querem é ser como eu, ter uma cama quente um apartamento bom e um bom prato de comida, eles nos roubam por sonhar e eu os roubaria por querer matar os seus sonhos.
Tudo muito lindo o que eu escrevi a cima, muito romântico e poético, porém nada real, esqueci daqueles que nos roubam por roubar, tanto a mim como aos próprios marginais, aqueles que exercem os seus poderes pra nos furtar o pouco de dignidade que ainda temos de viver no país como o Brasil, os políticos (também marginais). Esses não roubam pelos seus sonhos de uma vida melhor, esses roubam pra roubarem os sonhos de uma vida melhor, esses roubam a esperança, tanto a minha como a do moço que me assaltou. O furo do meu plano era esse, tanto os marginais como eu somos diretamente vitimas, diretamente responsáveis por todo o Brasil e por conseqüente por todo o mundo, e me fazendo mal esse mal de alguma forma volta pra eles e eu os fazendo mal esse mesmo mal volta pra mim, e quando os políticos nos roubam... eles continuam nos roubando, pois isso não funciona pros políticos, afinal estamos no Brasil, no máximo eles poderão morrer de uma bala perdida, mas isso não é só privilegio deles também pode acontecer comigo ou com o moço que me assaltou.
Então acabei de fazer a minha teoria sociológica, vou ser política!! É só pensar que a nossa pátria é aquele moço que me assaltou, então além de roubar os sonhos dele eu vou roubar também o dinheiro, mas não se preocupe estamos no Brasil e nada acontecerá comigo e nem com ninguém.

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