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Passou pelo mesmo lugar varias vezes, olhou a mesma rosa varias vezes na esperança de que ela mudasse. Não mudava, na verdade a rosa não adquiria mais cores, nem o seu orvalho chorava mais. Ela era apenas ela, nem as pétalas caiam. Aquilo a incomodava, olhava a planta e esperando algo que nunca vinha. Ela olhava atentamente o vento, mas não ventava naquele dia, ela esperava ansiosamente a chuva, porem não chovia naquele dia, ela queria forçosamente o sol, contudo nem o sol brilhava. Ela queria algo que fizesse aquela rosa desabrocha ou que algo a matasse de vez. Mas ela não queria aquela mesmice, aquela espera sem que nada acontecesse e já havia se passado 20 minutos desde que ela tinha percebido a planta e que nada mudava nela.
Ela estava perturbada, porque a sua espera estava sendo em vão e ela estava mais perturbada ainda porque se sentia impotente diante daquela rosa. Queria ser Deus, porem ela não podia. Iria tornar mecânico e sem graça o desabrochar e a morte da rosa caso ela mesmo cavasse e tirasse aquilo que a deixava viva. Ela tinha urgência, e a rosa não. Pra falar a verdade era totalmente fora da consciência da rosa, se é que existia isso para as rosas, que ela queria a mudança nela, e a espera nessa altura nem mais sabia onde era. Se nela mesmo ou na rosa, resolveu sentar-se no banco a uns cinco metros a sua frente. De lá podia ainda ver a roseira da qual vinha a sua rosa e aonde tinham varias outras rosas. Mas aquela que não mudava nunca era que a deixava atônita. Passou-se mais 5hrs, contudo ainda parecia que havia sido 5 dias. Aquela espera por ela a tinha deixado com a cabeça ocupada de mais para as obrigações normais do dia. Na verdade ela nem via o dia. O incomodo que a rosa causava a deixa incomodada pelo fato de não puder fazer daquilo um abrigo, tudo era pra ela um abrigo, na verdade ate aquele momento os seus sentimentos mais nobres tinha se tornado pra ela um lugar seguro, onde ela era boa, mas na verdade tudo que ela queria era matar a rosa, e quem sabe assim, matar um pouco de si mesmo, um pouco dessa espera, mas ela não podia, quem em sã consciência iria permitir matar-se a si, mesmo que o si naquela hora representasse a rosa? Varias pessoas passavam, e ninguém reparava que a rosa estava ali intocada pelo vento, pela chuva ou pelo sol que não vinha e que se viesse nunca a alcançaria, a inveja nela estava justamente porque a rosa apenas existia.
Sentia fome, sentia sede, sentia calor, um calor sufocado pela falta de sol, mas não conseguia deixar aquela rosa pra la, ela era imponente na sua existência, e nem ao menos sabia da existência dela, ela so sossegaria na hora que a rosa mudasse.
Ela esperava, e nada acontecia, já estava escuro, mas ainda assim a luz da rua a iluminava, e de vermelha virou laranja, ela finalmente tinha mudado. Não. Tinha sido as coisas envolta que tinham mudado, mas ainda assim ela continuava vermelha, ela chorou, ela havia esperado a sua vida toda por aquele momento, mas no entanto ela percebeu que ele nunca viria, nada muda na sua totalidade, a sua espera iria ser em vão, o que ela esperava estava alem da sua compreensão, mas ainda assim ela esperava, não a rosa, pois ela sabia que a rosa morreria ou alguém a mataria pra dá-la a algum amor. Ela esperava por ele, mas por muito aquela espera a cansava, mas assim como a demora da mudança da rosa, acontecia também pela mudança dele. O fato é que no final de tudo a rosa ficaria sem cor, sem pétalas, e até o orvalho negaria a ela um pouco de sua água, o vento apareceria e ajudaria as suas pétalas a caírem a chuva as levariam pra longe e o sol queimaria as suas folhas, mas ainda assim do seu espinho nasceria outra rosa, muito mais bonita que a antiga, ela só tinha que esperar ate que ele murchasse e ela o seu novo espinho o fizesse renascer mais belo, e isso teria que acontecer um pouco de longe um pouco perto para eles não se perderem um no outro. Ela tinha que aprender um pouco dela, tinha que conter um pouco dela.

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